quinta-feira, 18 de abril de 2013

Meu novo artigo: "Modernidade anômala e pré-escola"


Um novo artigo, ainda originário da pesquisa de mestrado:

RESUMO
Relata-se, neste artigo, pesquisa em uma escola pública de educação infantil localizada no interior de São Paulo. A partir de um referencial teórico histórico-cultural, os principais conceitos utilizados foram consciência, significado (significação), sentido, posição interna, atividade e jogo protagonizado. À guisa de métodos, realizaram-se: uma entrevista, observação participante, análise das atividades escolares e seus produtos, e três situações experimentais. Os resultados apontam a ontogênese de consciências caracterizadas pela submissão e individualismo, produtoras de sentidos nos quais se evidenciava a constituição de uma hierarquia social clientelista, na qual público e privado se sobrepunham. Esses aspectos foram mote para análise da inserção da escola pesquisada na história e presente da educação infantil - parte de uma sociedade compreensível por meio do conceito de "modernidade anômala", elaborado pelo sociólogo José de Souza Martins.
Palavras-chave: psicologia histórico-cultural; consciência; desenvolvimento psicossocial; modernidade anômala; educação infantil.
Acesse aqui.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sobre guerra e reconhecimento

UMA guerra, ao que parece, só é possível quando se apaga a individualidade do inimigo, convertido em imagem do mais puro Mal. Desde que, em 1830, surgiu a ideia de nação, tem sido assim. Sábio Voltaire! Já percebeu que ela traz muito  narcisismo: trata-se de catapulta imaterial pelo qual todos os cidadãos de certo país jogam lama nos seus vizinhos.
"Full Metal Jacket (Nascido para Matar, direção de Stanley Kubrick)" mostra soldados que nem sequer acreditam que os gooks (vietnamitas) mereçam ser mortos. A imagem do soldado americano ao lado do inimigo morto, vestido de marine, é melancólica. E ele diz, chocado consigo mesmo: "Não poderia ter sido meu amigo? E o aniquilei... talvez quando voltarmos para casa não haverá mais guerras, pois não haverá quem valha a pena matar".
Isso me lembrou um trecho do conto "Deutsches Requiem", do Jorge Luis Borges. Nesse conto, mesclam-se melancolia e violência na voz de um narrador schopenhaueriano que observa seu mundo marchar para o Nada sem  hesitação. Ele diz:
"Ameaça agora o mundo uma época implacável. Nós a forjamos, nós que já somos sua vítima. Que importa que a Inglaterra seja o martelo e nós a bigorna? O importante é que reine a violência, não as servis timidezes cristãs. Se a vitória e a injustiça e a felicidade não são para a Alemanha, que sejam para as outras nações. Que o céu exista, mesmo que nosso lugar seja no inferno.
Olho meu rosto no espelho para saber quem sou, para saber como me portarei dentro de algumas horas, quando me defrontar com o fim. Minha carne pode ter medo; eu não." (Borges, Jorge Luis. “Deutsches Requiem”. In: O Aleph. São Paulo: Globo, 2001, p. 96)  
***
Não há equilíbrio para o soldado americano. Seus inimigos? Todos os que se põem a atravessar um mito, a ideia de um mundo à imagem e semelhança da América, mas aquém dela na escala evolutiva (para ser irônica...), de modo a não lhe constituir ameaça. Como homens prostrados, eles aferram-se às possibilidades de prazer sem expor objeção. Sua própria individualidade, como a dos gooks, desaparece sob a farda. Revigorar o aceite de uma fé que se perde em meio aos destroços parece (e é) franco absurdo.

***
A guerra floresce na distância. Ao vizinho, permitem-se no máximo uns saques - como os pogroms. Por isso, Hitler tirou os judeus dos grandes centros, de sob os olhos do contribuinte alemão, antes de matá-los. Esquartejar o sujeito que se senta ao seu lado todos os dias, na hora do cafezinho, seria vilania incomensurável. Acho que é assim. 



quinta-feira, 4 de abril de 2013

melancolia (rascunho)


Sem filia
ou melodia:
o corpo sofria.
A mente?
Padecia.
Mas só de séria:
Melancolia.


Em mim, desconforto
Miséria e o desejo louco
de destruir o mundo
no qual não sofro pouco.



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